Cara comunidade,

Festa e comemoração. Há muito o que agradecer e refletir. Quadriênio fechado: trabalho dobrado. Foram desafiadores os tempos entre os anos de 2021 e 2024. Eles chegaram até nós com acréscimos nada vulgares ao enorme trabalho que é o de fazer crescer um programa de pós-graduação. Assim, os louros desta subida de conceito são mais marcantes. 

 

Aos discentes:

É pouco agradecer a cada esforço para que nossas alunas e alunos pudessem ter acesso às aulas, mesmo em tempos pandêmicos. É pouco agradecer o trabalho que cada docente teve para – juntamente com discentes, técnicos e bolsistas do PPHIST, do IFCH e da UFPA – organizar aulas, estudos, trabalhos, orientações e defesas on line. Tempos depois, os esforços se voltaram novamente para uma difícil transição do regime remoto ao presencial. É muito pouco lembrar que a volta pós pandemia nunca foi o “normal” e que o “novo normal” nem sempre foi como desejávamos. Foi longo o caminho de labutas para nos mantermos firmes e animados diante de tantos desmazelos e crises sanitárias, mas também políticas e orçamentárias. 

Com o pouco recebido, muito foi feito. Cada trabalho final bem avaliado, cada artigo, texto ou até entrevistas de divulgação elaboradas (ou concedidas) foi um passo grande rumo a esta nota 06 hoje comemorada. Assim quando uma dissertação ou tese foi qualificada e defendida neste último quadriênio, há um pouco de cada um de nós do PPHIST neste feliz desfecho. Também existem memórias dos que ficaram pelo caminho, ou que nele demoraram mais do que o usual. Que elas nunca sejam esquecidas e que suas vidas não sejam apenas contadas em frios números de desistentes, mas que possam, um dia, ajudar a construção de novas histórias, com números e pessoas que deram rumos e ritmos outros às suas vidas, em momentos críticos como o da pandemia e suas consequentes sequelas físicas e mentais. As portas do PPHIST são aquelas de vossas antigas casas, e outras tantas portas podem ser abertas para cada um de vocês com o tempo e paciência.  

 

Aos técnicos, bolsistas e coordenadores

Manter um programa funcionando é muito mais do que coordená-lo, é também secretariá-lo, tratando com delicadeza e sensatez a cada questão, sugestão ou crítica que surge, sejam elas feitas presencialmente, ou virtualmente, de forma mais pessoal, ou institucional. Secretariar foi tarefa das mais difíceis: havia que se abrir literalmente as portas do prédio do PPHIST, mas também foi preciso abrir outros espaços, como canais do YouTube, ou chats de conversas ou de reuniões. Foi preciso servir cafés e sorrisos aos que, diariamente, voltavam ao trabalho presencial, ainda com as máscaras e o medo. Mas também era tarefa ver, ouvir e responder a dezenas pedidos, encaminhamentos e demandas, em processos que – cotidianamente – entraram e saíram do PPHIST. Assim nossa secretaria teve pessoas meritórias dos mais altos elogios. Agradecimentos muitos para nossas duas técnicas, além de um conjunto variante de bolsistas que as auxiliaram neste processo, coordenado então pelos professores Francivaldo Nunes e Agenor Sarraf. Houve tempos comemorativos dos 20 anos do PPHIST. Houve mudanças no formato das defesas e dos ingressos. Houve alterações na forma da avaliação da CAPES. Tudo isso e mais outros tantos desafios foram vividos por todas as pessoas que administraram o PPHIST neste quadriênio.  

 

Aos que lutaram, se organizaram e se desafiaram

Há muito que dizer de uma nova base das alunas e alunos que ingressaram no programa por nossa ousada seleção de mestrandos e doutorandos neste quadriênio. O corpo discente foi estendido para se tornar metade dele constituído por cotistas, pensados para atender praticamente todas as vulnerabilidades. Foram assim abertas novas – e na maioria das vezes inéditas – oportunidades para que gentes com culturas próprias, com formas de ver, ouvir ou sentir especiais, ou ainda gentes com etnias e experiências de vida diferentes ampliassem o público discente do PPHIST. São estas novas gentes – pós-graduandas e pós-graduandos, mestres e doutores deste quadriênio encerrado – que conformam hoje elementos primordiais para que possamos construir um caminho futuro que nos ensine a sermos mais diversos, tolerantes e inclusivos. Um futuro em que todos e todas se reúnam em torno de questões comuns, buscando, com mais vontade e afinco, verbas e ideias inovadoras para adaptação de ambientes físicos e para novos debates históricos e historiográficos mais inclusivos e acolhedores das diversidades humanas na história social da Amazônia brasileira. 

Ainda neste quadriênio o programa de história social da Amazônia recebeu alunos internacionais, com outras línguas e vivências. Isto porque internacionalizar também é receber e formar. Porém eles vieram sem financiamentos de seus locais de origem. Desafios foram demasiados para integrar e garantir a cada um (dos locais e dos internacionais) os adequados espaços de acolhimento e de ensino. Difícil manter qualidade e isonomia com recursos divididos. Com bolsas a menos e discentes a mais, houve lutas estudantis. Lutou-se bravamente e os discentes conquistaram uma transparência muito bem-vinda, com critérios claros da distribuição das bolsas existentes. Tivemos a implantação de uma comissão de avaliação de bolsas atuante e com presença central dos representantes discentes, da técnica da secretaria e da coordenação. 

Se organizar e divulgar critérios para bolsas é meritório, também o foi avaliar e ampliar – com cuidado e decoro – o ingresso de novos docentes colaboradores. Nasceu uma comissão para esta avaliação com edital aberto e divulgado para quem quisesse e estivesse apto a este ingresso. Neste processo aberto e democrático demos assim boas-vindas a alguns colaboradores, os quais hoje são das pessoas as mais valiosas no nosso PPHIST. 

 

Aos que estão se planejando para o futuro

Da nova geração de discentes e de docentes depende, fundamentalmente, o bom futuro deste programa. Sabemos que a produção dos discentes, professores e professoras, comungando com seus respectivos grupos de pesquisas e linhas são peças fundamentais para quantificar os dados que criam e mantém um programa de excelência. Entretanto, elementar também é que os livros, artigos e sua divulgação revelem qualidade e profundidade nos temas e abordagens, nos métodos e em seus questionamentos. 

Que a produção de cada um de vocês dialogue com nosso tempo presente e seus muitos desafios. História e populações, história, sertões, rios e matas. História dos movimentos sociais, resistências, etnicidades e diversidade. História e arte, literatura, música e cultura. Fazemos o que há de melhor em história social da Amazônia. É preciso fazer mais do melhor. Também necessário é fazer o melhor de maneiras diferentes para chegarmos à excelência e continuarmos crescendo. Será nos cobrado impactos, diversidade e muita criatividade para os custos de tudo o que temos que ensinar, aprender, escrever, pesquisar e produzir. Nossa força é nossa base.

Somos um programa cujo alicerce sempre esteve focado na história acadêmica e social da Amazônia brasileira, feita, sobretudo, a partir do Pará. E se o Pará é nosso campo central de visão histórica da Amazônia, seus viventes são múltiplos, ricos e vibrantes. Eles ainda têm muito mais para nos oferecer para os próximos quatro anos, entre 2025 e 2028. Olhemos ao nosso redor: o que nos dizem nossos muitos povos e gentes? 

Abrimos este ano com o ingresso de uma nova e instigante turma no Marajó. Isto porque interiorizar é também fazer emergir os povos dos interiores Amazônicos para o mundo a fora. Portanto interiorizem-se para poderem dizer daqui o que é preciso ser dito para fora daqui. Nunca fomos cópias, reflexos ou espelhos. Nunca fomos páginas em branco, ou povos primitivos, tanto belos quanto folcloricamente mortos ou ultrapassados. Mirem nossa história nas ancestralidades, mas criem diversidades. Produzam afinidades e laços, mas enfoquem as lutas, e, com elas, desbravem conquistas e revolucionem ainda mais a uma vez a história amazônica. Felicitações à nossa comunidade. Que todos e todas venham conosco festejar hoje este tempo de sucesso do PPHIST-IFCH-UFPA. Que o futuro seja ainda mais pleno de alegrias e realizações...

 

Belém, 13 de janeiro de 2025.

Magda Ricci 

No estado de coordenadora deste Programa 

que já teve antes nomes dos mais memoráveis: 

Antônio Otaviano Vieira Júnior,

Antônio Maurício Dias da Costa,

Aldrin Moura de Figueiredo, 

Cristina Donza Cancela, 

Rafael Ivan Chambouleyron e 

Francivaldo Nunes.